Sacrifício de Animais na Umbanda: Por Que Não Acontece e Não Deve Acontecer?

O sacrifício de animais por motivos religiosos é um assunto polêmico.

A Umbanda é uma religião que integra conhecimentos de várias outras tradições, como o Catolicismo, o Espiritismo, o Xamanismo e o Candomblé, entre outras. Trata-se de uma religião genuinamente brasileira com uma forte influência cristã.

Tudo o que é cristão reconhece Cristo como Senhor e Salvador. Por isso, na Umbanda, Oxalá é sincretizado com Jesus Cristo. No Antigo Testamento, Deus aceitava sacrifícios de animais. No entanto, no Novo Testamento, Jesus foi o último cordeiro sacrificado (por isso dizemos “o sangue de Jesus tem poder”). Com a crucificação de Jesus, todos os pecados da humanidade foram perdoados, eliminando a necessidade de quaisquer outros sacrifícios.

Para uma religião cristã, o arrependimento verdadeiro é suficiente para a remissão dos pecados. Uma pessoa que se arrepende genuinamente transforma-se, espiritualmente falando. Um exemplo claro disso é o perdão que Jesus concedeu a Judas (seu traidor) e aos ladrões crucificados ao seu lado. Na Umbanda, a cura é alcançada por meio de atos, livre-arbítrio e merecimento, pela autoconsciência e não pelo sacrifício de animais.

Por outro lado, o Candomblé não é uma religião cristã, tendo suas raízes na África. Nessa tradição, o sacrifício de animais é interpretado de maneira diferente. No entanto, isso não significa que os animais devam sofrer.

Nos terreiros de Candomblé sérios, os sacrifícios são realizados com extremo cuidado. Os animais são preparados, rezados, criados, abatidos e oferecidos ao ‘Santo’. Suas partes são utilizadas como alimento pelos médiuns, e o que não é aproveitado (como vísceras e patas) é entregue ao Santo.

Isso é diferente dos cultos de magia negativa, onde os animais sofrem. Nesses cultos, o objetivo é causar mal às pessoas, as “vítimas da entrega”, por meio de trabalhos espirituais de baixo astral. Quando se discute “sacrifício de animais”, é importante esclarecer que há diferenças fundamentais entre Umbanda, Candomblé, Quimbanda, etc., cada um com suas próprias práticas.

Além disso, cada Casa, independentemente da religião, segue sua própria doutrina. Casas de Umbanda que praticam sacrifícios de animais não podem ser chamadas de Umbanda, no máximo de “Umbandomblé”.

CUIDADO COM A HIPOCRISIA RELIGIOSA

Muitas críticas são dirigidas ao Candomblé por seus sacrifícios de animais. No entanto, muitos desses críticos consomem carne bovina em churrascarias, carne de porco aos domingos, frango em dietas e peixe na praia. É importante lembrar que “hipocrisia” é exigir dos outros aquilo que não se pratica. Pessoas que vivem em áreas rurais frequentemente abatem galinhas torcendo seus pescoços antes de servi-las. Pescadores deixam os peixes morrerem sufocados em seus barcos. O fato de não se saber a procedência da carne consumida não diminui a responsabilidade pelo abate desses animais.

Os críticos do Candomblé pelo sacrifício de animais muitas vezes desconhecem que esses animais também são consumidos como alimento. Animais mortos cruelmente ou com restos expostos de forma maquiavélica em áreas urbanas são associados à magia negativa e não refletem a verdadeira prática da Umbanda ou do Candomblé. A maldade reside no ser humano, não na religião.

O termo “sacrifício de animais” é, na verdade, um equívoco.

Ser umbandista ou não, não exime ninguém de respeitar outras religiões. Vivemos em um país laico, o que garante liberdade religiosa. É necessário observar as leis ambientais contra o sofrimento animal. No entanto, matar um animal para consumo é tolerado. O difícil é aceitar e compreender essa prática dentro do contexto religioso.

 

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